Domingo, 20 de Agosto de 2017

Uma ideia com riso

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Quero pedir-te que me absolvas do amor.

Sim, do amor.

Não interessa o sentido que faz.

Mergulha os pés nestas águas infelizes,

e finge que há um sabor a princípio.

Eu sei. Todos os dias há um sol que nasce.

Mas não chega. Falta o momento chave.

O tal em que te armas em Deus e crias

com as mãos ou com a cabeça. Não importa.

Percebes que a pele é uma fronteira,

e a felicidade é só uma ideia com riso.

 

 

 

 

 

publicado por har_monia às 00:22
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Terça-feira, 15 de Agosto de 2017

Quintais

P1010069.JPG

Os quintais que me comovem

têm sombra de árvore de fruto.

Com mansidão, acolhem  conversas

e guardam segredos humanos.

Deixam na pele o perfume do Verão e

escondem a vaidade que resta.

 

 

 

 

 

 

 

publicado por har_monia às 19:01
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Quinta-feira, 9 de Julho de 2015

Fotos

P1017280.JPG

 

publicado por har_monia às 16:12
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Segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Painel Azul

 

 

publicado por har_monia às 11:45
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Domingo, 8 de Junho de 2014

A raposa e Xerazade

 

 

 

Ácido
Baril
Cativante
Dado
Espaço
Forte
Gordo 
Humano
Inverosímil
Janela
Libertador
Memória
Nada
Oportuno
Prazeroso 
Qualidade
Raro
Saúde 
Tentador
Unidade
Valioso 
Xerazade
Zangar

 

 

- Para mim a palavra cativante vai, para sempre, lembrar-me a raposa; ter significado muito para além do que quer dizer.

- Baril.

Foi tudo quanto ele disse sem nada mais ter para dizer.

- Baril é a distância entre nós. Vê-la crescer?

A  voz dela era toda feita de ácido; capaz de o desfazer com palavras.

Não se apercebeu do perigo.

- Estás a falar de espaço?

Finalmente, viu que a estava a zangar; sem perceber porquê.

- Se não sabes quem é a raposa também não sabes quem é a Xerazade.

- Uma chavala?

- Alguém que usa a imaginação para se manter viva.

- Quem é que lhe queria tratar da saúde?

- O sultão.

- Pois, não é boa ideia ter cenas com os árabes.

Ela era estranha como o raio. Metida a intelectualoide… Mas tinha qualquer coisa e ele não era gajo de desistir.

- Não tenho mais nada para falar contigo.

Ela achou que ele era um bicho sem interesse. Nada a fazer.

- Podíamos fazer algo prazeiroso.

- Tentador. Enlouqueceste?

- Porquê?

- É raro eu dar explicações mas vê se percebes: entre duas pessoas tem de haver pontos de contacto para que se possam misturar.

- Não era preciso ficarmos misturados para sempre; era só um bocadinho.

- Inverosímil.

- É?

Ele não estava seguro de saber o que ela queria dizer com aquilo. Mas já se sentia assim no início da conversa. Devia ser normal.

- Não é oportuno. – ouviu-se dizer. E deu uma gargalhada. Que expressão mais tola quando aplicada ao relacionamento humano.

Será importante a qualidade da primeira conversa? Ela achava que sim. E aquela dificilmente lhe ficaria na memória.

- Porque não me dizes, simplesmente, que sou gordo e não me queres?

Ela dá mais uma gargalhada.

- Eu gosto de gordos.  Apenas não tenho nada para falar contigo: aridez; deserto. Por isso não consigo beijar-te. Percebes?

Deu por si a ser sincera. E isso era libertador (que é, como toda a gente sabe, a principal característica da verdade).

Ele entrega finalmente os pontos. Sente que não vai a lado nenhum, pelo menos ao lado onde queria ir. Diz-lhe simplesmente adeus e desce a rua sem pressa.

 

 

publicado por har_monia às 22:29
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Segunda-feira, 28 de Abril de 2014

Um Oceano

 

 

 

 

UM OCEANO

 

- Há um oceano inteiro entre nós.

- Dizes isso como se bastasse; como se não houvesse nada a fazer.

- E não há.

- És ingénuo se pensas que os oceanos podem contra mim…

- Isso é verdade: nada pode contra ti. A tua vontade é uma força sem precedentes. Daquelas que dá medo.

- Eu mostro-te o que faço ao teu oceano.

- Sabes bem que o azul atlântico não é o único oceano que nos separa.

- Já diz a canção que: “o que nos une é muito mais do que o que nos separa”.

- Às vezes és tão sonhadora que me apetece bater-te.

- Bem, se para me bateres cruzares o oceano, voto nisso.

- A vida não pode ser tratada com essa ligeireza.

- Não há nada de ligeiro no amor.

- O amor subiu-te à cabeça.

- Não consigo pensar noutra coisa. Não consigo querer outra coisa.

O entusiasmo é um penhasco gigante. Ele não estava disposto a deixar-se cair.

Tinha que admitir que nunca experimentara aquela química. Tudo urgência. Tudo pleno e genuíno. Era como tinha de ser. E agora não ia ser. Pronto.

Mas deixou-a divagar. Alias, não conseguia parar a emoção dela; por mais que fizesse tentativas sérias. Seríssimas. Mas no fim desta chamada intercontinental, o oceano atlântico teria menos água que o riacho atrás da casa velha da sua infância. Não por que a água se tivesse sumido por um qualquer ralo escondido, mas porque ela transformava a paisagem à força de querer. Sim: tinha esse poder. E ele ao mesmo tempo que tinha por essa qualidade o maior fascínio: temia-a. O amor dá medo; a ele dava imenso.

Ela ria-se: descaradamente. Era por isso que ele usara o truque do oceano. O tal que com ela não funcionava nada. Sorriu: não havia mais nada a fazer.

 

 

publicado por har_monia às 21:33
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Sábado, 15 de Fevereiro de 2014

Tempo

publicado por har_monia às 18:34
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Quarta-feira, 29 de Janeiro de 2014

Vem ver-me no MUSICBOX

publicado por har_monia às 22:13
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Domingo, 3 de Novembro de 2013

A mulher do Primeiro Ministro e o Camionista Filósofo

 

 

 

A capa do meu romance da autoria de Alexandre Soares.

publicado por har_monia às 12:45
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